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Antes de Cannes, teve Film Commission

Publicado em 31 de outubro de 2025 · por Vinicius Cruz Camargo

Antes de Cannes, teve Film Commission

O cinema brasileiro vive uma grande primavera! E boa parte dessa energia vem do interior paulista.
E justamente no Halloween, resolvi falar de um exemplo emblemático. O longa “Love Kills”, dirigido pela ribeirão-pretana Luiza Shelling Tubaldini, produzido pela Filmland Internacional e coproduzido por Edgard de Castro, nome histórico do cinema nacional e idealizador da Film Commission da Região Metropolitana de Ribeirão Preto.

Antes de chegar a festivais internacionais, Love Kills nasceu sob o olhar atento da Film Commission — e isso faz toda a diferença.


💀 Amor, sangue e humanidade: o terror que emociona

Baseado na graphic novel homônima de Danilo Beyruth, o filme é um thriller “romantasy” ambientado na Cracolândia, em São Paulo.
A protagonista, Helena (interpretada por Thais Lago), é uma jovem vampira que assombra um café no centro da cidade e se envolve com Marcos (Gabriel Stauffer), um garçom que desconhece o mundo sobrenatural ao seu redor.

A trama mistura terror, fantasia e romance para tratar de temas humanos e dolorosos — como traumas, exclusão social, abuso e reconstrução da identidade — sob a perspectiva de mulheres marginalizadas.
Mais do que um filme de vampiros, Love Kills é uma metáfora visual sobre sobrevivência e afeto em meio à escuridão urbana.

Como destacou o DarkBlog, da DarkSide Books, o longa “ressignifica o terror, trazendo humanidade a personagens tradicionalmente vistos como monstros.”


🎥 Nada de filme “trash”

O cinema nacional até hoje sofre preconceitos por parte da audiência. Mas se você espera baixa qualidade de áudio e imagem de Love Kills, prepare-se para se espantar.

O filme impressiona pela qualidade técnica, estética, poética e artística:

Love Kills é cinema de gênero em sua forma mais sofisticada — com alma brasileira, ritmo internacional e um olhar feminino poderoso. 

Não tem outra forma de dizer: Dá muito orgulho de assistir um filme de vampiros desta qualidade em português.

Aproveite o Halloween para assistir ao trailer e tirar suas próprias conclusões:

 👉 Assista ao trailer de Love Kills


🏆 Do Festival do Rio a Cannes

A estreia mundial aconteceu no Festival do Rio, onde o filme conquistou o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original, assinada por Ariel Henrique e Tales Manfrinato.

 Em seguida, Love Kills foi selecionado para os principais eventos do cinema fantástico:

Em Cannes, o filme ganhou visibilidade no Fantastic Pavilion, o maior espaço dedicado ao cinema de gênero dentro do festival.
Ali, Love Kills foi recebido como um símbolo do novo cinema fantástico brasileiro — autoral, provocador e socialmente relevante.


🌆 Ribeirão Preto no mapa do cinema mundial

A conexão com Ribeirão Preto não está apenas no talento da diretora.
A produção contou com apoio da Film Commission da Região Metropolitana de Ribeirão Preto e da Secretaria de Cultura e Turismo da cidade, com grande apoio da Secretária Maria Eugênia Biffi além de recursos da Lei Paulo Gustavo.
Esse suporte institucional foi essencial para viabilizar a produção e projetar o nome da cidade nos grandes festivais internacionais.

O sucesso de Love Kills é uma prova concreta de que o trabalho iniciado pela Film Commission — idealizada por Edgard de Castro e coordenada por Junior Perini, com o apoio do IPCIC – Instituto Paulista de Cidades e Identidades Culturais — está gerando frutos de alcance global.

**“Antes de Cannes, teve Film Commission.”**E antes do tapete vermelho, houve o compromisso de uma região inteira com o cinema.


🌍 O legado de uma nova geração

Para além dos prêmios, Love Kills marca o início de uma geração de cineastas que escolhe o interior como base e o mundo como destino.
Luiza Shelling Tubaldini, com sua sensibilidade e coragem estética, se une a nomes como Tato Siansi e tantos outros profissionais do audiovisual da nossa região que estão construindo uma nova identidade para o audiovisual brasileiro.E por trás desse movimento, o mesmo nome que há décadas planta as bases de um cinema forte e descentralizado: Edgard de Castro, idealizador e grande motor da Film Commission, cuja visão continua inspirando produtores, diretores, sonhadores e até simples entusiastas, como eu.